Gestão de projetos na construção: o problema não está no método, mas em quem decide
A construção civil nunca teve tantas ferramentas de gestão de projetos disponíveis. E, ainda assim, os projetos nunca foram tão revisados, tão retrabalhados e tão lentos para avançar. Essa foi uma das reflexões trazidas pelo nosso Diretor Executivo, Vitor Lethier, durante sua participação no CTE Enredes.
O ponto é direto: o gargalo da gestão hoje não está na técnica, mas na forma como as decisões são estruturadas.
Os problemas começam antes do projeto começar
Grande parte dos desvios nasce na fase de concepção. É nesse momento que menos se discute risco, menos se envolvem os agentes certos e mais se assume que o caminho está claro. Na prática, não está. E isso aparece depois, quando o projeto precisa voltar etapas que já deveriam estar consolidadas.
Em um dos cases apresentados, um empreendimento de alto padrão em Ipanema teve sua estratégia estrutural completamente revista já em fase avançada. A mudança não veio da engenharia em si, mas de uma exigência de fornecedor, que impactava diretamente o prazo da obra. O resultado foi a necessidade de revisitar a concepção para atender uma condição que não havia sido antecipada.
Nem sempre isso é evitável, mas muitas vezes poderia ser melhor previsto. O ‘erro’ está em quem não participa da decisão
Projetos ainda são definidos com participação limitada de agentes que deveriam estar na mesa desde o início. Isso se torna ainda mais crítico quando falamos de industrialização. Não faz sentido discutir soluções construtivas sem envolver quem vai, de fato, viabilizá-las. Sem essa integração, o projeto nasce incompleto e passa a ser corrigido ao longo do caminho.
A padronização é importante, mas tem limite. Quando aplicada sem critério, reduz a capacidade de adaptação e cria uma falsa sensação de controle. Projetos mais complexos exigem leitura específica, e tratá-los como padrão tende a gerar decisões tardias e retrabalho.
Hoje existem mais reuniões, mais ferramentas e mais acompanhamento. Ainda assim, isso não tem se traduzido em projetos mais eficientes. O problema não está na quantidade de interação, mas na qualidade das decisões que saem dela. Em muitos casos, não existe clareza sobre quem decide e até onde pode decidir. Quando isso acontece, as revisões aumentam e, em alguns casos, fornecedores passam a assumir responsabilidades que não deveriam. O impacto é direto no prazo, no custo e na previsibilidade da obra.
Gestão de projetos é gestão de pessoas
No fim, a discussão volta para o básico. Projetos fluem melhor quando existe acesso a quem decide, clareza de responsabilidade e comunicação adequada ao nível de cada interlocutor. Sem isso, nenhum método resolve. A evolução da gestão de projetos deve passar por decisões mais bem estruturadas desde o início. Isso envolve trazer os agentes certos para a concepção, dar clareza sobre responsabilidades e adaptar o processo quando o projeto exigir, principalmente em projetos mais complexos!




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